UM POUCO SOBRE INCLUSÃO
O
movimento de inclusão social iniciou-se nos anos 80 nos países desenvolvidos, e
na década de 90, juntamente com o desenvolvimento industrial espalhou-se por
todos os países, tendo por objetivo uma sociedade igualitária.
Para
Sassaki (1997) o processo de inclusão é um desafio na história da educação e
social. Tendo como objetivo a educação para todos os alunos, independente de
suas características sociais ou pessoais. O processo da inclusão realizou
mudanças em seus procedimentos e estruturas, passando por quatro importantes
fases de desenvolvimento:
A
primeira fase foi a da exclusão, as pessoas portadoras de deficiência não
tinham atendimento educacional e social. A sociedade perseguia, ignorava e
explorava as pessoas portadoras de deficiência acreditando que elas eram
vitimas de bruxaria ou espiritismo.
Na
segunda fase, acontece à segregação institucional, os portadores de
deficiências eram exclusos da família e da sociedade, eles acabavam sendo
atendidos por instituições religiosas ou filantrópicas, não tendo controle da
qualidade assistencial recebida.
...foi
neste contexto que emergiu, em muitos países em desenvolvimento, a ‘educação
especial’ para crianças deficientes, administrada por instituições voluntárias,
em que sua maioria religiosas, com consentimento governamental, mas sem nenhum
outro tipo de envolvimento por parte do governo. Algumas dessas crianças
passaram a vida inteira dentro das instituições. (JONSSON, 1994, p.61 apud
SASSAKI, 1997, p.112).
Ainda
dentro da visão de um espaço separado para o deficiente inicia-se, então, o
surgimento das escolas especiais e, também, as oficinas de trabalho. A
sociedade acreditava que se a pessoa portadora de deficiência fosse
escolarizada e treinada profissionalmente poderia tornar-se produtiva.
A
terceira fase é a de integração, e nessa fase nascem as classes especiais
inseridas nas escolas comuns, o que poderia ser entendido como um meio de
exclusão, na visão do autor, porque as crianças portadoras de deficiência não
se intrometeriam no ensino regular. Eram feitos nas escolas testes de
inteligência e a partir dos resultados eram selecionadas as crianças que tinham
potencial acadêmico.
A quarta
fase é a de inclusão, são inseridas no sistema educacional escolas e classes
inclusivas, em países como os EUA, Canadá, Espanha e Itália. Sassaki reforça
que a inclusão é hoje uma realidade, e a educação inclusiva está crescendo em
vários países, mais inovadora, aparecendo diversas discussões não somente em
palestras, mas está ganhando o mundo com a era tecnológica.
... A
noção de inclusão institui a inserção de uma forma mais radical, completa e
sistemática. O vocábulo integração é abandonado, uma vez que o objetivo é
incluir um aluno ou grupo de alunos que já foram anteriormente excluídos; a
meta primordial da inclusão é a de não deixar ninguém no exterior do ensino
regular, desde o começo. As escolas inclusivas propõem um modo de se constituir
o sistema educacional que considera as necessidades de todos os alunos e que é
estruturado em virtude dessas necessidades. A inclusão causa uma mudança de
perspectiva educacional, pois não se limita a ajudar somente os alunos que
apresentam dificuldades na escola, mas apoia a todos: professores, alunos,
pessoal administrativo, para que obtenham sucesso na corrente educativa geral.
(MANTOAN 1997, p. 145 apud SASSAKI 1997, p. 114).
Schwartzman
acredita que a integração de pessoas com deficiência realmente pode acontecer,
mas teriam que ser feitas grandes mudanças como, por exemplo, na infra-estrutura
de nossas cidades: escolas, transporte público, arquitetura etc. A sociedade
teria que parar de cultuar a perfeição e a beleza.
O autor
relatou que há diversos fatores sobre inclusão, que acabam sendo utopia,
porque, o que vemos é uma exclusão dentro de salas de aula, por exemplo,
crianças portadoras de deficiências são colocadas dentro de uma sala de aula
com uma pessoa ao lado, ajudando nas tarefas que são passadas para o restante
da sala, a qual muitas vezes não está preparada para lidar com a especificidade
do aluno.
O
ambiente pedagógico não está preparado para atender a necessidade daquele
aluno. Não havendo a devida preparação do professor para aprender a trabalhar
com a criança portadora de deficiência, o que acaba gerando uma desestruturação
do ambiente em sala de aula, colocando em risco o aprendizado de toda a sala.
O autor
afirmou que, para que ocorra a integração da criança com deficiência, a escola
regular necessita de todo empenho possível, acreditando que essas crianças só
aprenderão de forma diversa ao sistema educacional regular.
Após as
discussões entre os autores Sassaki e Schwartzman acredito que a inclusão ainda
passará por diversas mudanças sociais e educacionais, tendo como objetivo uma
sociedade igualitária. Mantoan (1989), a esse respeito, aponta que:
[...] remete á escola questões de
estrutura e de funcionamento que subvertem paradigmas e que implicam em um
redimensionamento de seu papel para o mundo que evolui rapidamente. Penso que a
inclusão acontece a passos lentos, na prática não ocorre como deveria e precisa
ser trabalhada por toda sociedade de modo responsável. A construção desse
modelo do ponto de vista pedagógico implica em transformar a escola, quanto ao
currículo, a avaliação e, principalmente, as atitudes; incluir é fazer com que
as pessoas permaneçam juntas, respeitadas em seus direitos.
O
principal objetivo da inclusão escolar deve ser de gerar possibilidades para
que o aluno com deficiência consiga se desenvolver e prosseguir no ambiente
escolar conforme suas capacidades.
De acordo
com Mantoan (1989), “incluir não é apenas colocar junto, incluir vai muito,
além disso, é oferecer oportunidades iguais por direito”.
A
inclusão escolar em todo seu processo educativo necessita de uma parceria de
todos os envolvidos no ambiente escolar para que possa garantir o bem estar e
aprendizagem de todos os alunos.
ESCOLAS ESPECIAIS PARA CEGOS
Todo o
esforço educacional dirigido ao cego visa, em última análise, sua inclusão
social. A primeira escola para cegos foi fundada em Paris, em 1784, por Valentin Haüy. Um de seus discípulos, Louis Braille, que perdeu a visão aos três anos de idade, criou
um sistema de leitura tátil, que além das letras tinha também números e
notações musicais.
Com o
impulso dado pelo sistema Braille, surgiram na Europa diversas escolas para
cegos, algumas notáveis, como a inglesa St. Dunstan, que
dava ênfase aos aspectos psicológicos dos alunos. Seguiu-se a criação, nas
escolas públicas, de classes especiais para crianças cegas, a primeira das
quais foi fundada nos Estados Unidos em 1900. A Perkins School, de
Boston, conseguiu um feito extraordinário com a educação primorosa de Helen
Keller, cega, surda e muda aos 19 meses de idade, que conseguiu graduação
superior e escreveu diversos livros sobre a educação de pessoas com
deficiência.
A partir
daí, os livros em Braille proliferaram a tal ponto que a National Library for the Blind, emWestminster, Inglaterra, conta com um acervo de
milhares de volumes.
A UNESCO
participou ativamente do esforço para unificação do sistema Braille e difusão
de material didático. Muitas outras escolas para cegos e associações de cegos
foram surgindo em todo o mundo. No Brasil, a primeira instituição especializada
foi o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, criado em 1854, hoje Instituto
Benjamin Constant, no Rio de Janeiro.
As
tendências pedagógicas modernas referentes à educação dos cegos, assim como a
de todas as outras pessoas com deficiência, prescrevem sua inserção no sistema
escolar comum, desde o pré-escolar até a universidade, com vistas,
especialmente, a combater a segregação das pessoas cegas.
Dessa
formaas pessoas com deficiência, visuais ou qualquer outra, podem mais
facilmente serem incluídas na sociedade e sentirem-se cidadãos úteis e não
encargos, um peso para a sociedade. Além de cegos graduados em diversos cursos
superiores como advocacia, tecnologia da informação, pedagogia, psicologia,
administração, existem hoje muitos cegos que são técnicos de excelente
desempenho. Há ainda cegos engajados na vida artística, sobretudo
instrumentistas e cantores.
Atualmente,
tanto quanto o Sistema Braille, a informática atua fortemente na educação de
pessoas cegas, pois os programas leitores de tela permitem a leitura e
escrita para os cegos que, dessa forma, podem utilizar editores de texto para
fazer trabalhos, ter acesso à internet, fazer pesquisas e trocar informações
com todo o mundo de conhecimentos disponível na web. Uma pessoa com deficiência
visual pode, além disso, escanear um livro e posteriormente Lê-lo com seu
programa de leitura, que pode falar o que está na tela se acompanhado de um
sintetizador de voz, ou dispor em Braille se acompanhado de um monitor Braille.
As ajudas técnicas disponíveis estão cada vez mais avançadas nesse sentido,
além de que a sociedade, através das leis, começa a ajustar as informações para
que estas se tornem mais acessíveis.
REFERÊNCIAS
GODOY,
Hermínia Prado. Inclusão de alunos
portadores de deficiência no ensino regular paulista. São Paulo: Editora
Mackenzie, 2002.
SAAD
Suad Nader – 1.ed. – Preparando o
Caminho da Inclusão: dissolvendo mitos e preconceitos em relação à pessoa com Síndrome
de Down - 1.ed- São Paulo : Vetor, 2003.
SASSAKI, Romeu Kazumi, 1938 – S252 – Inclusão./ Construindo uma sociedade
paratodos. - Rio de Janeiro: WVA, 1997.
SCHWARTZMAN,
J.S. Generalidade. In:___.et al.Síndrome
de Down, São Paulo: Memnon/Ed. Mackenzie, 1999 a.p. 16-31.
SCHWARTZMAN, José Salomão. Integração: do que e de quem estamos
falando? . In MANTOAN, Maria Tereza Eglér. A
integração de pessoas com deficiência: contribuições para uma reflexão sobre o
tema, São Paulo: Memnon: Editora SENAC, 1997.
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